Brasil conquista Copas do Mundo com trajetórias e estilos distintos entre 1958 e 1994

Embora todas as Copas vencidas pelo Brasil tenham terminado com imagens semelhantes, que mostram o capitão erguendo a taça, cada uma foi recebida de forma diferente pela torcida. Nenhuma das jornadas foi exatamente tranquila.

A galeria de conquistas mostrou times muito modificados durante o torneio, um futebol que encantou o mundo, outro futebol considerado “feio”, e alguns dos maiores craques brasileiros em episódios pessoais de consagração e redenção.

1958: A estreia de Pelé e a formação de um time campeão

Se hoje a seleção campeã de 1958 é celebrada como uma das maiores reuniões de talento da história, os primeiros dias na Suécia indicavam um destino mais sombrio. A escalação dos dois primeiros jogos não levou a campo Pelé e Garrincha, dois dos três maiores responsáveis pelo título que viria. Além disso, o centroavante Vavá, vital na campanha, não atuou na estreia.

Aos 17 anos, Pelé pedia passagem para o time titular, mas nunca a seleção havia escalado alguém tão jovem. Depois do empate sem gols diante dos ingleses na segunda rodada, o que tornou obrigatória a vitória contra a União Soviética no jogo seguinte, os brasileiros passaram quatro dias acompanhando a polêmica sobre a necessidade de mudanças.

Nos quatro jogos seguintes, Vavá e Pelé fizeram 11 dos 13 gols marcados pelo Brasil, garantindo o título de uma equipe que nunca havia treinado junta.

1962: Garrincha assume protagonismo após lesão de Pelé

Quatro anos depois, no Chile, ganhar o bicampeonato era uma perspectiva concreta, com Pelé e Garrincha exaltados em todo o mundo. No entanto, no segundo jogo contra a Tchecoslováquia, Pelé se machucou e abandonou a Copa. Com dez em campo, já que na época não havia substituições, a seleção segurou um empate sem gols.

Amarildo entrou no ataque ao lado de Garrincha, marcando dois gols na vitória contra a Espanha. A Copa de 1962 acabou sendo a consagração de Garrincha, que jogou excepcionalmente na ausência de Pelé, em uma atuação comparada à de Maradona em 1986, nas chamadas “Copas vencidas por um homem só”.

1970: O melhor time da história e o futebol arte

Em 1970, o Brasil apresentou o time considerado o melhor de todos os tempos, apesar de dúvidas iniciais. O país tinha cinco jogadores excepcionais que atuavam de forma semelhante em seus clubes: Pelé (Santos), Tostão (Cruzeiro), Jairzinho (Botafogo), Rivelino (Corinthians) e Gérson (São Paulo). O desafio era encontrar uma forma de encaixar esses jogadores.

Após vencer a Inglaterra por 1 a 0 no segundo jogo, o Brasil conquistou todas as partidas e encerrou a campanha com uma vitória de 4 a 1 contra a Itália na final. O futebol apresentado encantou o mundo e coincidiu com campanhas ufanistas do regime militar.

1994: O tetra com um futebol criticado pela defesa

Depois de 24 anos sem conquistar o tetracampeonato, o Brasil venceu em 1994 sob críticas por praticar um futebol considerado “feio”. O time dirigido por Carlos Alberto Parreira valorizava a posse de bola, mas sem atacar de forma intensa. O treinador foi criticado ao declarar que “o gol é um detalhe no futebol”.

A vocação defensiva do time ficou evidenciada na substituição de Raí, que começou a Copa como atacante, por Mazinho, volante que se juntou a Dunga e Mauro Silva em um meio-campo cauteloso. A final contra a Itália terminou sem gols no tempo normal, refletindo o estilo mais conservador da equipe.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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