Baleia que encalhou na costa alemã será transformada em biodiesel na Dinamarca
A baleia-jubarte conhecida como “Timmy”, que chamou atenção na Alemanha após encalhar diversas vezes na costa do país e que foi encontrada morta na Dinamarca, terá seus restos mortais aproveitados para a produção de energia. A gordura do animal será convertida em biodiesel, enquanto os demais componentes serão utilizados como biomassa.
Timmy foi encontrada morta em meados de maio próximo à ilha dinamarquesa de Anholt, poucos dias após uma controversa operação de resgate que tentou transportá-la da costa alemã do Mar Báltico para o Mar do Norte. A operação, que ocorreu em abril, foi marcada por críticas e terminou sem sucesso.
A empresa dinamarquesa Daka Denmark, especializada na produção de biodiesel a partir de gordura animal, confirmou que processará a baleia em sua fábrica localizada na cidade de Randers. Conforme informações da companhia, os restos da baleia são separados em três partes: a água é tratada e devolvida ao mar; a gordura é transformada em biodiesel; e os ossos, tendões e pele são convertidos em farinha para uso como biomassa em fábricas de cimento.
Uma necropsia realizada na semana passada revelou que Timmy era uma fêmea, porém a causa da morte ainda não foi determinada. Durante o exame, o animal foi cuidadosamente aberto e seus pedaços foram recolhidos por uma escavadeira para transporte. Os ossos da baleia serão preservados e integrados à coleção do Museu de História Natural de Copenhague.
O caso de Timmy ganhou repercussão internacional desde 23 de março, quando a baleia encalhou pela primeira vez em um banco de areia na praia de Timmendorfer, no estado alemão de Schleswig-Holstein. Após uma operação complexa, o animal foi libertado, mas voltou a encalhar na Baía de Wismar, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Com a saúde do mamífero em declínio, as autoridades inicialmente decidiram suspender as tentativas de resgate para evitar sofrimento ao animal.
Contudo, Timmy continuou viva por semanas, o que gerou apelos públicos por novas ações. Em meados de abril, o secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, autorizou uma última tentativa de resgate, que foi financiada por empresários, incluindo Walter Gunz, cofundador da rede MediaMarkt.
Apesar dos esforços, a operação foi considerada polêmica e não evitou a morte da baleia. Agora, o aproveitamento dos restos de Timmy para a produção de biodiesel e biomassa representa um desfecho inusitado para o episódio que mobilizou autoridades, especialistas e o público na Alemanha e na Dinamarca.
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