**Torcedores desistem de ir à Copa do Mundo após dificuldades com vistos e restrições de viagem nos EUA**
*Por BBC — 11 de junho de 2026*
Com a Copa do Mundo de 2026 sendo sediada nos Estados Unidos, torcedores de diversas partes do mundo enfrentam barreiras para acompanhar suas seleções. Proibições de viagens, restrições rigorosas e altas taxas de rejeição de vistos têm feito muitos desistirem de participar do evento, segundo levantamento da BBC.
Abdulla Adnan, torcedor iraquiano, é um exemplo dessa realidade. Após a classificação inédita do Iraque para a Copa — a segunda na história do país, a primeira em 1986 — ele comprou ingressos para os jogos contra Noruega e França, que ocorrerão em Boston e Filadélfia. “Ir a um jogo, a um estádio, a uma multidão, torcer e ver meu time — isso é tudo para mim. É um sentimento incomparável”, afirmou.
No entanto, Adnan não conseguiu obter o visto para viajar aos EUA. A suspensão dos serviços consulares de rotina no Iraque, devido ao conflito entre EUA, Israel e Irã, impossibilitou a emissão do documento no país. Tentando uma alternativa, ele viajou à Jordânia para solicitar o visto na embaixada americana, mas foi informado que, por não ser cidadão jordaniano, não poderia ser atendido ali. A tentativa custou cerca de US$ 1,8 mil (R$ 9,4 mil) entre ingressos e deslocamento. Diante das dificuldades e do tempo que o processo poderia levar na Turquia, Adnan desistiu.
Além do Iraque, torcedores de mais de um quarto dos países participantes da Copa enfrentam restrições semelhantes. A lista de proibições do governo Trump inclui nações que disputarão o torneio, como Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim, cujos cidadãos não podem obter o visto de visitante recomendado para torcedores.
Julien Kouadio Adonis, representante da associação de torcedores da Costa do Marfim, classificou as restrições como “uma forma de segregação velada”. Ele ressaltou que nenhum país europeu enfrenta limitações semelhantes e criticou a decisão de a Costa do Marfim não tentar enviar torcedores aos EUA. “O futebol é um espetáculo e um espetáculo precisa de pessoas assistindo”, afirmou.
Enquanto 42 países, geralmente mais ricos, usufruem do programa de isenção de visto dos EUA, que permite pedidos online por meio do Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (Esta) com custo de cerca de US$ 40 (R$ 200), nenhum país africano está incluído nessa lista. O visto recomendado para torcedores custa US$ 185 (R$ 930) e exige entrevista presencial, além de comprovação de intenção de deixar os EUA após a viagem e capacidade financeira para arcar com os custos.
Essas barreiras têm gerado frustração entre os fãs do futebol, que se veem excluídos de um dos maiores eventos esportivos do planeta devido a políticas migratórias rígidas e conflitos internacionais. A situação levanta questionamentos sobre a acessibilidade e o espírito inclusivo que a Copa do Mundo tradicionalmente representa.
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