Brasília – A apreensão de uma arma registrada no nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma blitz realizada em Brasília na noite de segunda-feira (15) diminui as chances de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogue a prisão domiciliar temporária do político.
O prazo da prisão domiciliar vence no próximo dia 25 de junho. Moraes vinha considerando a possibilidade de renovação por mais 90 dias, avaliando que a custódia vinha sendo cumprida sem intercorrências, mesmo diante das articulações para a campanha eleitoral.
No entanto, a pistola encontrada com Estácio Leite da Silva Filho, segurança de Bolsonaro, acendeu um alerta no ministro, que deu 24 horas para que a defesa do ex-presidente apresente explicações. Estácio relatou à Polícia Militar (PM) que levava a arma para conserto devido a uma pane e pretendia devolvê-la nesta terça-feira (16).
Moraes solicitou esclarecimentos sobre o motivo pelo qual, às vésperas do término do período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária, foi solicitado o reparo do armamento. Segundo interlocutores do ministro, a menção ao fim do prazo é um sinal negativo para Bolsonaro.
Além disso, o magistrado levantou a possibilidade de descumprimento de ordens judiciais, já que os veículos que saem da residência de Bolsonaro devem passar por revista, mas a arma foi encontrada com um terceiro a 33 quilômetros de distância do condomínio.
A PM respondeu que realiza varreduras nos habitáculos e porta-malas dos carros que deixam a casa do ex-presidente, mas que os veículos usados pelos seguranças ficam estacionados em via pública e não entram na garagem, motivo pelo qual não são submetidos a vistorias.
O descumprimento de medidas cautelares tem sido um motivo frequente para Moraes revogar benefícios a Bolsonaro, como ocorreu quando o ex-presidente apareceu nas redes sociais dos filhos ou tentou romper a tornozeleira eletrônica em novembro do ano passado.
A desconfiança do ministro aumentou após a postura do segurança durante a abordagem na blitz. O policial militar Davi Evangelista Alves afirmou que a pistola estava no assoalho do carro e que o motorista fechou o vidro de forma repentina ao perceber a presença do policial.
Estácio inicialmente afirmou que a arma constava em sua funcional, mas o policial não encontrou registro na documentação do militar. Só após ser questionado novamente, o segurança disse que a pistola era de Bolsonaro e que o equipamento costumava ficar dentro do carro.
Auxiliares de ministros alinhados a Moraes afirmam que a prorrogação da prisão domiciliar era estudada como forma de reconhecer o bom comportamento do ex-presidente desde o fim de março, quando a medida foi concedida para recuperação de broncopneumonia após internação.
Nos últimos três meses, Bolsonaro não apresentou complicações que exigissem intervenções de urgência, o que também era considerado para a possível renovação da prisão domiciliar.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









