Legal Operations ganha força como pilar estratégico e transforma o papel do jurídico nas empresas

Pressão regulatória, digitalização e alta litigiosidade impulsionam adoção de Legal Ops 

no Brasil

O aumento da complexidade regulatória, aliado à transformação digital e ao elevado volume de demandas judiciais no país, tem levado empresas brasileiras a repensar o papel de seus departamentos jurídicos. Nesse contexto, o conceito de Legal Operations (Legal Ops) ganha força como componente estratégico, com foco em eficiência, organização e antecipação de riscos.

O Brasil figura entre os países com maior volume de processos judiciais em tramitação, segundo o Conselho Nacional de Justiça, o que amplia a necessidade de maior controle sobre passivos, contratos e exposição regulatória por parte das empresas.

Além disso, estudos conduzidos pela FGV Direito SP indicam o avanço da adoção de práticas de Legal Operations no país, especialmente impulsionadas pela digitalização e pela necessidade de integração entre jurídico, tecnologia e gestão.

Tradicionalmente associado a uma atuação reativa, o jurídico passa por uma mudança estrutural. Com a implementação de Legal Ops, empresas passam a estruturar processos, organizar dados e ampliar a visibilidade sobre riscos, permitindo uma atuação mais preventiva e alinhada à estratégia do negócio.

Segundo a especialista em Legal Operations do STG Advogados, Vitória Valente, empresas que ainda não estruturaram essa área enfrentam maior dificuldade para lidar com o ambiente atual.

“Hoje, as empresas operam sob pressão constante: regulação mais intensa, digitalização acelerada e necessidade de eficiência. Um jurídico que atua apenas de forma reativa perde capacidade de antecipação. Já um jurídico estruturado em Legal Ops consegue organizar informações, monitorar riscos e apoiar decisões estratégicas com mais consistência”, afirma.

O movimento também acompanha uma tendência global. Relatórios do Corporate Legal Operations Consortium apontam aumento consistente na demanda sobre departamentos jurídicos e maior pressão por eficiência, uso de tecnologia e integração de dados.

Na prática, a adoção de Legal Ops permite identificar fragilidades contratuais, lacunas de governança e inconsistências operacionais antes que se convertam em litígios ou perdas financeiras relevantes. Com maior previsibilidade, o jurídico passa a contribuir de forma mais direta para a gestão de riscos e para a tomada de decisão em nível executivo.

Embora a redução de custos operacionais seja um efeito percebido com menor retrabalho e maior padronização, especialistas destacam que o principal ganho está na mitigação de riscos e na prevenção de perdas.

“Legal Ops amplia a capacidade de controle e de organização do jurídico. Isso reduz ineficiências, mas, principalmente, evita que vulnerabilidades se transformem em problemas maiores, com impacto financeiro ou reputacional”, explica Vitória.

Apesar do avanço, a implementação ainda enfrenta desafios. Um dos mais comuns é iniciar a estruturação pela adoção de ferramentas tecnológicas, sem o devido mapeamento de processos e organização de dados.

A recomendação é seguir uma abordagem estruturada, que comece por diagnóstico, passe pela definição de processos, organização de dados e, só então, avance para tecnologia e cultura organizacional.

Outro ponto de atenção é a formação de profissionais. A área de Legal Operations demanda perfis com visão interdisciplinar, capazes de transitar entre direito, gestão, tecnologia e análise de dados, uma combinação ainda em desenvolvimento no mercado brasileiro.

Diante desse cenário, Legal Operations se consolida como uma agenda crescente nas empresas, com impacto direto na governança, na eficiência operacional e na capacidade de adaptação a um ambiente de negócios cada vez mais complexo.

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Postado por:

Paulo Mathias

Colunista - Interage Goiânia.

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