Assembleia Legislativa do RJ nomeia 30 exonerados pelo governador interino Ricardo Couto

Pelo menos 30 pessoas exoneradas desde abril pelo governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, foram nomeadas em cargos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). As nomeações ocorreram tanto na estrutura administrativa da Casa quanto em gabinetes de 13 deputados estaduais, em sua maioria da base do governo anterior de Cláudio Castro (PL).

O levantamento, feito pela Folha a partir dos Diários Oficiais do Executivo e do Legislativo, não considera integrantes de equipes fixas de ex-secretários que retornaram à Alerj após mandato parlamentar.

Parte das nomeações ocorreu no dia seguinte às exonerações. Desde março, retomaram mandatos os deputados Bruno Dauaire (União Brasil), Gustavo Tutuca (PP), Anderson Moraes (PL) e Douglas Ruas (PL), este último atual presidente da Alerj. Todos realocaram funcionários no Legislativo.

Também nomearam ex-comissionados do governo os gabinetes de Dionísio Lins (PP), Vitor Junior (PDT), Carlos Augusto (PL), Renan Jordy (PL), Giselle Monteiro (PL), Filipe Soares (PSDB), Pedro Brazão (PSDB), Rodrigo Amorim (PL) e Sarah Poncio (Solidariedade).

As assessorias dos deputados afirmaram que as nomeações atendem a critérios técnicos e que os funcionários possuem experiência administrativa, enviando currículos e informações sobre formação profissional. A assessoria da Alerj confirmou que as nomeações obedecem a critérios técnicos compatíveis com as funções.

Das 30 nomeações, 13 são para cargos no núcleo administrativo da Alerj, incluindo assessoria especial de plenário, assistência da presidência, departamento de legislação pessoal, consultoria de planejamento e orçamento, e subsecretaria da escola do legislativo. Os salários variam entre R$ 1.500 e R$ 8.800, conforme tabela da Alerj de maio.

Desde 23 de abril, quando o STF determinou a permanência de Couto no Palácio Guanabara, o governo informou ter exonerado 3.920 servidores comissionados. A gestão interina completou três meses em 23 de junho.

Em nota, o governo afirmou que estima economizar R$ 230 milhões com as demissões até o fim do ano e que novas exonerações ocorrerão conforme auditorias internas. O governo não comentou as nomeações feitas pela Alerj nem as motivações das exonerações.

Na semana anterior, em evento do grupo Lide, Couto mencionou uma “captura” do Executivo por deputados e a cobrança por secretarias.

Até fevereiro, o Rio contava com 15.161 servidores ativos com cargos comissionados, que juntos recebiam R$ 75,9 milhões por mês. Couto tem afirmado que não é político e que sua meta é a reestruturação financeira do estado.

Em 22 de junho, o presidente Lula chamou Couto de “interventor” e destacou sua “tarefa nobre” de acabar com a corrupção no Rio de Janeiro. Couto declarou estar em fase de transição, comprometido em entregar o estado com as contas em dia, durante agenda com Lula sobre adesão do Rio ao programa de renegociação de dívidas dos estados (Propag).

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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