Michelle Bolsonaro lidera críticas a Flávio em grupos digitais e ofusca crise do governo Lula

Em meio às divisões internas do bolsonarismo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganhou destaque nas redes sociais ao publicar vídeos criticando o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A repercussão, especialmente em grupos do WhatsApp e Telegram, ofuscou a crise do governo Lula relacionada ao afastamento do senador Jaques Wagner da liderança no Senado.

Levantamento da empresa de monitoramento Palver, que acompanha mais de 100 mil grupos públicos nesses aplicativos, indicou que 67% das mensagens opinativas foram desfavoráveis a Flávio, enquanto 33% o defenderam. O volume de críticas foi impulsionado também por setores da esquerda, que se uniram à onda para desgastar a imagem do senador.

Conflito interno no PL e repercussão digital

Desde 18 de junho, a Palver monitora as discussões sobre uma possível aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) para o Governo do Ceará. A pauta ganhou força após os vídeos de Michelle, publicados em 24 de junho, nos quais ela relata ter sido desrespeitada por Flávio Bolsonaro após criticar a aliança em um comício de novembro de 2025.

Michelle defende apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE) e afirmou que Flávio a criticou publicamente antes de contatá-la, sendo ríspido na conversa, sugerindo que ela deveria se afastar das decisões partidárias.

Três correntes de opinião

  • Uma corrente acusa Flávio de traição ideológica por buscar aliança com Ciro Gomes, considerada inaceitável por setores da base bolsonarista, que veem Michelle como guardiã dos valores do movimento.
  • Outro grupo foca no pedido de desculpas feito por Flávio a Michelle, avaliando-o como gesto calculado e não genuíno.
  • Uma terceira corrente defende a estratégia eleitoral de Flávio, criticando a interferência de Michelle e considerando a exposição pública um erro que favoreceu a oposição.

Ofuscamento da crise governista

O Instituto Democracia em Xeque apontou que, entre a tarde de 24 e a manhã de 25 de junho, o debate sobre a família Bolsonaro dominou as redes, com 76% das menções diretas relacionadas ao vídeo de Michelle, contra 24% sobre o afastamento de Jaques Wagner, alvo da Operação Compliance Zero.

O conteúdo envolvendo Michelle acumulou cerca de 1,4 milhão de reações, quase sete vezes mais que as 214 mil interações sobre o caso do líder governista.

Setores da esquerda concentraram 38% de seus posts no vídeo de Michelle, buscando capitalizar politicamente a discórdia no clã Bolsonaro em vez de priorizar a crise do governo Lula.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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