Os jogadores da seleção do Irã deixaram um bilhete manuscrito no vestiário após o empate sem gols contra a Bélgica, no domingo (21), agradecendo a cidade de Los Angeles pela “hospitalidade”, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela equipe durante a Copa do Mundo de 2026.
Em meio ao conflito no Oriente Médio, o Irã enfrentou restrições inéditas para disputar suas duas primeiras partidas do Grupo G em Inglewood, próximo a Los Angeles. A equipe foi obrigada a viajar de sua base no México para os Estados Unidos menos de um dia antes dos jogos e a retornar imediatamente após as partidas.
Após o empate inicial em 2 a 2 com a Nova Zelândia, o técnico Amir Ghalenoei declarou que o Irã era a equipe “mais oprimida” do Mundial. Em entrevista coletiva após a partida contra a Bélgica, ele afirmou que a guerra e as restrições de visto fizeram com que o time chegasse ao torneio “nas piores condições imagináveis”.
Apesar disso, o Irã tem apresentado bom desempenho e encara sua última partida contra o Egito, no sábado, em Seattle, com a possibilidade de se classificar para a fase eliminatória pela primeira vez.
A mensagem deixada pelos jogadores no vestiário, escrita em inglês, ressalta: “Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável”. O texto prossegue: “Viemos a Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade. Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade. E obrigado a cada iraniano que entregou seu coração, sua voz e sua alma pelo Irã ao longo desses 180 minutos.”
A nota também faz referência ao ataque contra uma escola em Minab no primeiro dia da guerra com os Estados Unidos, no qual, segundo relatos, morreram 168 meninas, e conclui com um apelo: “Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações”.
Durante o hino nacional iraniano, foram ouvidas vaias vindas de setores do estádio normalmente utilizados pelos times da NFL Los Angeles Rams e Chargers. O sul da Califórnia abriga a maior diáspora iraniana do mundo, muitas delas contrárias ao governo da República Islâmica, que reprimiu duramente manifestantes no início deste ano.
No estádio, reapareceram a antiga bandeira iraniana — utilizada antes da revolução islâmica de 1979 — e uma faixa pedindo um “Irã livre”. Apesar das ameaças de deixar o campo em situações como essa, os jogadores mantiveram o foco na partida.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









