Jaques Wagner resiste a deixar liderança do governo, mas Lula deve recomendar sua saída em reunião marcada para 24 de junho

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tem demonstrado resistência em se afastar do cargo, apesar da pressão interna e da articulação para que ele deixe a função. A decisão final deve ser influenciada por uma conversa prevista entre Wagner e o presidente Lula (PT), marcada para quarta-feira, 24 de junho, quando o senador retornará a Brasília.

Fontes próximas indicam que Lula deve solicitar que Wagner entregue a liderança do governo, caso o senador não tome essa iniciativa antes do encontro. Aliados de Wagner, embora favoráveis ao afastamento, sugerem que ele só deixe o cargo após a visita do presidente à Bahia, prevista para 2 de julho, justificando a necessidade de se dedicar à campanha no estado.

Após Wagner ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master, o governo avaliou que seria necessário proteger o presidente e encerrar rapidamente a discussão, que interrompeu uma sequência de notícias positivas para Lula.

Emissários do Palácio do Planalto tentam convencer Wagner de que sua permanência na liderança mantém os holofotes sobre ele, dificultando sua defesa. Uma ala do governo também defende a troca do líder após falhas na articulação política, como a derrota na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de sua relação desgastada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Wagner argumenta que sua fragilização pode prejudicar a campanha de Lula na Bahia, um estado estratégico para a eleição presidencial de 2022. No entanto, interlocutores do presidente afirmam que a exposição do caso pode fortalecer o discurso de defesa de adversários políticos, como Flávio Bolsonaro (PL), envolvido em investigações relacionadas a recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

Dentro do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defende a blindagem do presidente Lula, ressaltando que o escândalo veio à tona graças a investigações conduzidas durante sua gestão e que não há qualquer ação do governo para favorecer o Banco Master.

Após a operação da Polícia Federal em 18 de junho, Lula telefonou duas vezes para Wagner, mas, segundo aliados, não discutiram a sucessão na liderança devido ao abalo emocional do senador. Ministros afirmam que esses gestos de solidariedade não garantem a permanência de Wagner no cargo, mas indicam um apoio para que ele assuma a saída como uma decisão pessoal, focada em sua defesa.

Wagner concedeu entrevista à Band News TV, na qual mencionou o apoio do presidente: “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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