Tiago Splitter, o primeiro brasileiro a comandar uma franquia da NBA, foi oficialmente apresentado como técnico do Chicago Bulls em 22 de junho de 2026. Em entrevista coletiva, o treinador de 41 anos ressaltou que seu foco principal será desenvolver jogadores jovens e estabelecer uma cultura sólida para o futuro da equipe.
“Às vezes, existe uma relação em que, quando você desenvolve jogadores, isso significa que você vai perder muitos jogos. E o mais importante nessa questão toda é tentar desenvolver os jogadores e, aos poucos, que as vitórias reflitam isso, que isso seja um espelho. Quanto melhor eles acabam se desenvolvendo, mais vitórias vão vir no futuro”, afirmou Splitter.
A franquia, que contará com quatro escolhas no draft de 23 de junho, incluindo as posições 4 e 15 da primeira rodada, aposta em uma base jovem para retornar ao alto nível competitivo nos próximos anos.
Splitter destacou ainda a necessidade de paciência nesse processo, especialmente para os torcedores brasileiros, que podem não estar acostumados com o tempo exigido para o desenvolvimento dos atletas nos esportes americanos.
“A gente sabe que esses atletas jovens vão demorar um tempo para melhorar. Eu acho que é uma paciência que a gente tem que ter e é um processo longo, às vezes. E eu acho que é uma coisa que talvez o brasileiro não está acostumado a ver. Isso se vê muito nos esportes americanos, quem acompanha sabe que existe uma etapa de construção dos seus jogadores.”
O treinador também ressaltou que o teto salarial da NBA obriga as franquias a focarem no desenvolvimento interno, tornando a criação de uma cultura de equipe essencial.
“O mais importante de tudo é criar uma cultura. Acho que é uma palavra que pouco se fala no Brasil, mas muitos tentam fazer nos Estados Unidos. Então, criar um ambiente dentro do Chicago Bulls de desenvolvimento de jogadores, onde esses jovens que estão vindo ou que já estão no time realmente melhorem. Esse é o grande objetivo.”
Tiago Splitter, que atuou como técnico interino do Portland Trailblazers e levou o time aos playoffs na última temporada, afirmou que a possibilidade de participar da construção do time do zero foi um fator decisivo para aceitar o desafio em Chicago.
“A projeção de futuro, poder começar um time do zero e realmente colocar esse time pra jogar da forma que eu gosto. Obviamente, tendo a quarta escolha no draft, é uma coisa que dá uma refrescada no time.”
Apesar dos pioneirismos em sua carreira, Splitter disse não focar nesses aspectos no dia a dia, preferindo concentrar-se nos próximos passos do projeto, como o draft e a montagem da comissão técnica.
“É um orgulho poder ser, por sorte, o primeiro em muitas coisas. Espero que eu seja o primeiro de muitos. Mas, na verdade, no dia a dia eu não penso muito nisso.”
Por fim, o técnico destacou a importância de a torcida brasileira compreender o processo de reconstrução pelo qual o Bulls passará nos próximos anos.
“Todo mundo é ciente disso aqui, dentro da organização, dentro da franquia. Então, a gente está muito unido nisso e sabe qual é o objetivo. Mas também é até para os torcedores brasileiros entenderem um pouquinho como que funciona essa etapa que a gente vai passar aqui nos próximos anos. Que, às vezes, não é só vitórias e derrotas o mais importante, e sim esses jogadores jovens melhorando e, aos poucos, conseguindo vitórias.”
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









