Como fazer países que se odeiam, ou que estão em guerra aberta, jogarem futebol? Essa pergunta foi lançada à Fifa (Federação Internacional de Futebol) quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã.
Por semanas, parecia improvável que a seleção iraniana viajaria aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump disse em março que, embora os jogadores iranianos fossem bem-vindos para competir, ele não achava que deveriam “pela própria vida e segurança deles”.
Após meses de incerteza que incluíram atrasos de visto e a mudança de sua base do Arizona para Tijuana, no México, o Irã finalmente começou sua campanha na Copa do Mundo em 15 de junho de 2026 — apenas um dia depois de Trump anunciar um acordo preliminar para encerrar a guerra.
Esta está longe de ser a primeira Copa do Mundo a lidar com as consequências de guerras. Os torneios de 1942 e 1946 sequer foram realizados por causa da Segunda Guerra Mundial. Veja algumas das outras edições que foram assombradas por conflitos:
A ‘Guerra do Futebol’ (1969)
A relação entre Honduras e El Salvador vinha se deteriorando há muito tempo por uma série de razões, incluindo disputas de fronteira. Em 1969, os vizinhos se enfrentaram nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970.
Honduras venceu o primeiro jogo em casa, e El Salvador o segundo. Após tumultos em ambas as partidas, a decisiva terceira partida foi transferida para o México, local neutro. No dia do jogo, El Salvador rompeu relações diplomáticas com Honduras, que fez o mesmo no dia seguinte. El Salvador venceu por 3 a 2 e se classificou para a Copa do Mundo.
Em poucas semanas, os dois países estavam em guerra. Os combates duraram pouco mais de quatro dias e mais de mil pessoas, a maioria civis, foram mortas. Embora o esporte não tenha sido o gatilho, a agitação em torno das eliminatórias levou muitos a chamarem o conflito de Guerra do Futebol.
A Guerra das Malvinas (1982)
A Copa do Mundo de 1982 contou com três nações do Reino Unido — Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte — além da Argentina. Pouco mais de dois meses antes do início do torneio, a disputa pelas Ilhas Malvinas explodiu em uma guerra mortal entre a Grã-Bretanha e a Argentina.
O ministro dos Esportes britânico, Neil Macfarlane, chegou a pedir o cancelamento de todos os contatos esportivos com a Argentina. Havia a possibilidade de equipes do Reino Unido enfrentarem a Argentina, e um comitê do governo britânico considerou se deveria se retirar do torneio.
Apesar das tensões, nenhuma seleção se retirou. Na abertura, torcedores argentinos jogaram milhares de pedaços de papel no estádio afirmando que as Malvinas pertenciam à Argentina. Em 14 de junho, durante o torneio, a Grã-Bretanha anunciou a rendição das forças argentinas nas Malvinas.
Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 1986, a Argentina venceu o título liderada por Diego Maradona, derrotando a Inglaterra nas quartas de final em um confronto marcado pela tensão política e esportiva.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









