Idelber Avelar, professor da Universidade Tulane (EUA) e autor de Eles em Nós: Retórica e Antagonismo Político no Brasil do século XXI, discute os problemas do meio-campo da seleção brasileira de futebol e os impactos das escolhas táticas nas Copas do Mundo.
Segundo Avelar, a oscilação entre estruturas simétricas e assimétricas foi decisiva nas eliminações brasileiras em 1950 e 1982. Em 1982, a equipe treinada com três meio-campistas e um jogador pela direita adotou uma estrutura assimétrica durante a Copa, com um quadrado de meio-campistas liderado por Falcão e sem ponta direita, o que contribuiu para a eliminação apesar do futebol encantador apresentado.
Já em 1950, a seleção trocou a tradicional diagonal assimétrica pela estrutura simétrica WM, comum na Europa, o que deixou um espaço vulnerável na esquerda explorado pelo ponta uruguaio Ghiggia, resultando nos gols decisivos contra o Brasil.
Avelar também destaca que nas Copas de 1974 e 2006, o desequilíbrio ocorreu na relação vertical entre defesa, meio-campo e ataque, com um excesso de atacantes e defensores e um meio-campo despovoado, problema que se repetiu na eliminação para a Croácia em 2022, quando o adversário explorou o sobrepovoamento do meio-campo brasileiro.
O especialista conclui que, para a Copa de 2026, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à simetria tática e à organização do meio-campo, ressaltando que as nomenclaturas tradicionais das formações podem atrapalhar mais do que ajudar na compreensão desses problemas.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









