É improvável que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenha conseguido relaxar no fim de semana, contrariando seu conselho inicial de “Chill and relax” para a Copa do Mundo. O motivo é o dia da estreia do Irã, marcado por tensões políticas e pressões do governo persa.
Os jogadores iranianos receberam instruções para deixar o campo caso haja desrespeito à bandeira nacional ou insultos contra o povo do Irã. Isso inclui a proibição de antigas bandeiras com o Sol e o leão, símbolos da Pérsia adotados por comunidades iranianas exiladas, especialmente nos Estados Unidos.
Uma dessas comunidades está em Los Angeles, na região de Westwood, conhecida como “Teerangeles”, uma junção de Teerã, capital do Irã, com Los Angeles.
Manifestantes em Tijuana, México, onde a equipe treina, exibem cartazes com frases como “A seleção de futebol terrorista da República Islâmica não representa o povo do Irã”.
Infantino evita admitir que a eliminação precoce do Irã seria a melhor forma de evitar constrangimentos, como a possibilidade de jogadores abandonarem jogos ou a competição.
Esta será a quinta participação do Irã em Copas do Mundo, a quarta consecutiva. Embora eliminado sempre na fase de grupos, o time conquistou vitórias recentes contra Marrocos (2018) e País de Gales (2022).
Entre seus principais jogadores está Taremi, vice-campeão da Liga dos Campeões pela Internazionale e atualmente no Olympiacos, da Grécia. O time não é considerado um grande favorito, mas tem potencial para avançar, especialmente diante dos adversários Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
O Irã pode se classificar como um dos melhores terceiros colocados, aumentando a possibilidade de permanecer na competição até a segunda fase, o que amplia o risco de incidentes envolvendo protestos e o uso de bandeiras proibidas.
Esta edição da Copa do Mundo é marcada por desafios inéditos: três países participantes, 104 jogos e, pela primeira vez, o país anfitrião está em guerra com um dos participantes. Embora o Iraque tenha jogado a Copa de 1986 durante o conflito com o Irã, os iranianos não se classificaram naquela edição.
Casos anteriores de conflitos durante Copas, como a Guerra das Malvinas em 1982, terminaram rapidamente ou não envolveram diretamente os países participantes na competição. A situação atual entre Estados Unidos e Irã representa um cenário sem precedentes para o torneio.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









