Nelson Rodrigues afirmou nos anos 1950 que o Brasil é “a pátria de chuteiras”. Essa identidade se fortalece quando as chuteiras verde-amarelas dançam ao som do samba e de uma boa conversa descontraída. É nesse ambiente de futebol, samba e resenha que o sentimento de brasilidade se manifesta com intensidade.
Os jogadores são conhecidos por suas resenhas animadas, e Vampeta é considerado um dos maiores resenheiros do futebol contemporâneo. Entretanto, foi Adriano, o Imperador, quem melhor expressou essa cultura em uma situação marcante durante um jogo do Flamengo contra o Atlético-MG, em 2009, no Mineirão.
Segundo o relato no livro Adriano: meu medo maior, escrito pelo ex-jogador junto com o jornalista Ulisses Neto, Adriano interrompeu a entrada do time em campo para reunir os jogadores no vestiário e cobrar a falta de descontração e união. Ele disse: “Pessoal, isso aqui não tá legal. Que porra é essa? Não teve a nossa música hoje no vestiário. Não fizemos o nosso pagode no ônibus. Cadê a resenha? Ninguém fez brincadeira. Porra, assim não dá não. Vamos perder pra nós mesmos?”.
Mesmo sem o Imperador em campo na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, Vini Jr. assumiu a responsabilidade e marcou um golaço. No segundo tempo, a seleção apresentou um futebol mais consistente, mas ainda assim sem o entrosamento característico que o samba e a resenha promovem. O empate final trouxe satisfação, mas ficou a sensação de que faltou aquela coletividade que só o ritmo do samba e a conversa animada conseguem proporcionar.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









