O governo Lula (PT) está tentando negociar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para impedir a votação de propostas que possam causar desgaste eleitoral ao presidente, especialmente nas áreas de segurança pública e junto ao eleitorado evangélico.
O Palácio do Planalto manifesta preocupação com o impacto negativo que a votação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) sobre a redução da maioridade penal e a ampliação da imunidade tributária para templos religiosos pode trazer à imagem do presidente.
PEC das Igrejas e o eleitorado evangélico
A chamada PEC das Igrejas amplia a imunidade tributária para entidades religiosas, abrangendo desde a compra de veículos e helicópteros até alimentos e serviços de limpeza. Embora o PT e a maioria dos partidos de esquerda tenham sido contrários, o governo liberou sua base para votar a favor na Câmara, em maio, reconhecendo o apelo da proposta entre evangélicos.
O Planalto teme que uma posição contrária seja usada por adversários para associar Lula a uma postura contrária às atividades religiosas, especialmente porque os evangélicos representam quase 27% da população brasileira, segundo o Censo de 2022, e foram historicamente mais alinhados com o clã Bolsonaro.
Recentemente, o PT divulgou uma carta dirigida a esse segmento, destacando medidas em defesa da liberdade de crença, e o governo insiste na indicação do evangélico Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Redução da maioridade penal e riscos eleitorais
Há pelo menos duas PECs em discussão sobre a redução da maioridade penal. Uma já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, e governistas acreditam que a tramitação pode ser acelerada devido ao apelo popular. Outra proposta está pronta para ser pautada no Senado.
Aliados de Lula trabalham para que nenhuma das duas propostas seja votada antes das eleições. O governo é contrário à redução da maioridade penal e defende outras formas de combate à criminalidade juvenil, embora reconheça o amplo apelo popular da medida.
O Planalto admite que a segurança pública é uma área de dificuldade histórica para o PT. Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial, obteve uma vitória simbólica com a classificação pelo governo dos Estados Unidos do PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.
O governo teme que o Senado dê celeridade às propostas sobre maioridade penal, o que poderia ofuscar outras iniciativas do Executivo, como a PEC da Segurança, atualmente parada no Senado, e o lançamento de um novo programa para combater o roubo de celulares.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









