Durante a infância em Tarrafal, na ilha de Santiago, Cabo Verde, Diney Borges sonhava em ser jogador de futebol. Hoje, o zagueiro é um dos destaques da seleção cabo-verdiana na Copa do Mundo de 2026, que vive sua primeira participação no torneio.
Após empatar com a Espanha e garantir um 2 a 2 contra o Uruguai, Cabo Verde chega à última rodada da fase de grupos com reais chances de avançar para o mata-mata, um feito inédito para o país. Para Diney, o desempenho da equipe não é surpresa.
“Para o grupo, nada disso é uma surpresa. Sempre tivemos bem a noção do nosso real valor. Viemos sabendo que não estávamos no Mundial para passear. É a oportunidade de uma vida e não podemos fazer menos do que dar a vida”, afirmou o zagueiro em entrevista à Folha.
Com pouco mais de meio milhão de habitantes, o arquipélago africano conquistou a vaga após superar Camarões nas Eliminatórias Africanas. Segundo Diney, o sucesso atual é fruto de uma identidade construída ao longo dos últimos anos.
“Fomos coesos para defender, mas nunca nos escondemos, e fomos ousados para atacar uma das melhores seleções do mundo. Nunca demonstramos medo e fomos fiéis, mais uma vez, a nós mesmos e à nossa filosofia de jogo”, disse.
A próxima partida será contra a Arábia Saudita, e uma vitória pode garantir a classificação da seleção para a fase eliminatória, embora o empate também mantenha chances. Ainda assim, o discurso do zagueiro permanece cauteloso.
“Não muda nada. A preparação para a partida é a mesma. Sabemos que a responsabilidade é maior, as pessoas esperam grandes coisas de nós, os torcedores já nos acompanham e têm alguma expectativa, mas nós estamos blindados ao ruído externo. Temos um sonho muito grande de nos classificarmos. Sabemos que isso depende de nós, mas não vamos entrar em campo sozinhos”, afirmou.
A campanha da seleção cabo-verdiana tem aproximado o país do público brasileiro, com quem compartilha a língua portuguesa e diversas referências culturais. Diney destaca a influência da cultura brasileira no arquipélago e cita ídolos como Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.
“Há uma predominância da cultura brasileira e portuguesa na cabo-verdiana. Pelas músicas, pelas novelas, por algumas expressões, por algumas tendências. Somos povos-irmãos”, declarou.
Além de Diney, o goleiro Vozinha se tornou uma das figuras mais celebradas da Copa, conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. O zagueiro ressalta a importância do goleiro para o grupo.
“É bom sentir que as nossas partidas estão sendo apreciadas pelos torcedores por todo o mundo. O Vozinha é um grande goleiro, um grande líder e, acima de tudo, uma pessoa que merece tudo o que está acontecendo. Estamos mais focados na nossa seleção do que nas carreiras a nível individual”, afirmou.
O apoio do Brasil tem sido sentido pela equipe durante toda a competição, reforçando a conexão entre os dois países.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









