**Tren de Aragua: facção venezuelana investigada por crimes no Norte de Roraima**
*Boa Vista, 13 de junho de 2026* – Em 2025, a polícia de Roraima encontrou um cemitério clandestino com nove corpos em uma área de mata na capital Boa Vista, evidenciando a atuação violenta da facção venezuelana Tren de Aragua no Brasil. A maioria das vítimas era de imigrantes venezuelanos, segundo as investigações.
Fundada em uma prisão próxima a Caracas, na Venezuela, a organização criminosa expandiu sua influência para diversos países da América do Sul, incluindo Colômbia, Bolívia, Peru e Chile. No Brasil, o grupo consolidou-se principalmente no estado de Roraima desde 2016, atuando em pelo menos quatro municípios.
O Tren de Aragua, também conhecido pela sigla TDA, está envolvido em atividades ilícitas como garimpo ilegal, tráfico de drogas e armas, sequestros, extorsão e exploração sexual de mulheres. A facção aproveita a vulnerabilidade dos imigrantes venezuelanos e mantém parcerias com grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), para o escoamento de armamentos e entorpecentes.
Em 2025, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Tren de Aragua como organização terrorista estrangeira, mesma designação atribuída recentemente ao PCC e ao CV. A administração americana acusa o grupo de manter vínculos com o governo de Nicolás Maduro, que enfrenta processos judiciais nos EUA por narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
A facção teve sua estrutura abalada em setembro de 2023, quando o governo venezuelano retomou o controle do Centro Penitenciário de Aragua, conhecido como Tocorón, local de origem do grupo. A intervenção enfraqueceu a organização, que perdeu cobertura política e aliados no país. No entanto, líderes criminosos teriam sido avisados com antecedência e deixaram o presídio levando armas e dinheiro.
Atualmente, o principal reduto do Tren de Aragua está em Las Claritas, na Venezuela, cidade próxima à fronteira com o Brasil. De lá, acredita-se que são emitidas ordens para as células que atuam em território brasileiro. Relatos indicam presença da facção em pelo menos seis estados brasileiros, com maior concentração na região Norte.
As autoridades de Roraima seguem investigando a atuação do grupo, que representa uma ameaça crescente à segurança pública local e à integridade das comunidades, especialmente entre os imigrantes venezuelanos que buscam refúgio no Brasil.
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