Torcida apaixonada pelo Brasil cresce em países como Bangladesh, Índia e Vanuatu, apesar de desafios locais

Apesar da confiança dos torcedores brasileiros na seleção não estar em seu melhor momento para a Copa do Mundo de 2026, o Brasil mantém uma torcida apaixonada em diversos países ao redor do mundo, incluindo Bangladesh, Índia, Paquistão, Haiti, Jamaica, República do Congo e até a pequena nação insular de Vanuatu, no Pacífico.

Em algumas dessas nações, a paixão pelo Brasil disputa espaço com a torcida argentina, refletindo a tradicional rivalidade latino-americana, especialmente após a conquista da Copa do Mundo de 2022 pela Argentina.

Segundo Danilo Ramos, do Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcida (GEFuT) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o legado de craques brasileiros como Pelé, Zico, Romário, Ronaldinho e Ronaldo, assim como jogadores mais jovens como Endrick, contribui para a disseminação da cultura esportiva brasileira no exterior. “Quando se fala do futebol brasileiro, ainda tem essa magia, de que temos um jogador diferenciado, que vai tentar um drible diferente, vai tentar uma jogada mágica para salvar o time no último minuto”, afirma o pesquisador.

Em Bangladesh, a Universidade de Daffodil, em Daca, decorou seu campus com bandeiras de seleções para celebrar o início da Copa, destacando Brasil e Argentina. Um telão foi instalado para que alunos e funcionários assistissem aos jogos, e gols de Messi provocaram grande entusiasmo.

Torcedores bengalis também mantêm perfis ativos nas redes sociais, como o cbf.bangladeshofficial, que reúne quase 24 mil seguidores e se apresenta como a “presença não oficial da CBF em Bangladesh”. Danilo Ramos destaca o papel das redes sociais e da transmissão de jogos europeus na ampliação do interesse por seleções como Brasil e Argentina, já que muitos jogadores brasileiros atuam em ligas europeias, como a Premier League.

Além de camisas e bandeiras, os torcedores em Bangladesh levam faixas, carros de som e placas às ruas nos dias de jogo, e canais locais, como a Somoy TV, exibem apresentadores com camisas das seleções participantes.

Ramos também observa que em países com independência recente, como Bangladesh (1971), ainda não houve tempo suficiente para criar uma identificação forte com a seleção nacional, o que favorece o apoio a seleções estrangeiras.

No continente africano, a situação é semelhante. Na República Democrática do Congo, que participa da Copa de 2026, camisas do Brasil são comuns entre torcedores e vendedores ambulantes em Lubumbashi, apesar da naturalização de jogadores africanos em seleções europeias, o que dificulta a identificação local.

Essa dinâmica de identificação com a seleção brasileira ocorre em várias partes do mundo, demonstrando a força global da paixão pelo futebol do Brasil, mesmo diante de desafios locais e rivalidades esportivas.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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