STJ julga pedido de liberdade de Deolane Bezerra após 20 dias presa

A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julga nesta terça-feira (9) o pedido de liberdade da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, que está presa preventivamente desde 21 de maio. A detenção ocorreu no âmbito de uma investigação que apura sua suposta participação em uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Deolane foi presa durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo as autoridades, ela é suspeita de envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa.

A defesa da influenciadora recorreu ao STJ alegando que a prisão preventiva não atende aos requisitos legais, pois não há provas concretas de risco à ordem pública, interferência na investigação ou possibilidade de fuga. Os advogados pedem que a prisão seja convertida em domiciliar, destacando que Deolane é mãe de um menino de 9 anos e que os fatos investigados ocorreram entre 2018 e 2021.

Além disso, a defesa propõe medidas alternativas, como retenção do passaporte, proibição de deixar a cidade e restrição de contato com outros investigados. Eles negam qualquer ligação da influenciadora com o crime organizado e afirmam que toda a movimentação financeira atribuída a ela tem origem lícita e comprovada.

De acordo com a polícia, entre 2018 e 2022, cerca de R$ 13,6 milhões teriam sido movimentados em contas pessoais de Deolane, e aproximadamente R$ 14 milhões passaram por três empresas vinculadas a ela. As autoridades identificaram ainda empresas registradas em municípios do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, que seriam usadas como fachadas para ocultar patrimônio.

O pedido de liberdade já havia sido negado pela Presidência do STJ, que entendeu que o caso deveria ser analisado primeiro pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A defesa recorreu da decisão, levando o recurso à 5ª Turma do STJ, que agora decidirá sobre a manutenção ou não da prisão preventiva.

Paralelamente, a Polícia Civil de Presidente Venceslau concluiu o inquérito da Operação Vérnix e indiciou Deolane e outras seis pessoas pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação apontou que o grupo continuava atuando durante as apurações, alterando a estrutura das empresas para ocultar patrimônio e movimentações financeiras, inclusive utilizando ativos virtuais.

Novas medidas judiciais foram solicitadas pela polícia, incluindo bloqueio ampliado de bens, apreensão definitiva de veículos e custódia judicial de joias e relógios encontrados nas buscas.

Fonte original: LEO DIAS – FAMOSOS

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