A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Lázaro, que investiga a reativação de um banco privado extinto há mais de 60 anos durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL). A ação apura uma possível fraude envolvendo a disputa pela titularidade de precatórios e terrenos avaliados em bilhões de reais.
Segundo a corporação, as investigações indicam que, a partir de 2024, um grupo de falsos acionistas conseguiu restabelecer o registro do Banco Crédito Móvel, que encerrou suas atividades oficialmente em 1964 após processo de liquidação aprovado pelos acionistas.
A reativação teria ocorrido mesmo diante de decisões judiciais e pareceres técnicos contrários, com o objetivo de reivindicar direitos sobre um crédito bilionário relacionado à desapropriação de uma área de aproximadamente 153 mil metros quadrados no Recreio dos Bandeirantes.
Os alvos da operação incluem responsáveis pela tentativa de reativação do banco e dirigentes da Junta Comercial do Rio de Janeiro (Jucerja), que autorizou o registro da instituição. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o atual vice-presidente da Junta, Affonso D’Anzicourt Silva, o secretário-geral Gabriel Oliveira de Souza Voi e o ex-presidente Sergio Romay.
Affonso Silva afirmou não temer a investigação e prometeu se manifestar detalhadamente posteriormente. A reportagem não obteve retorno de Sergio Romay nem da assessoria da Junta Comercial até a publicação.
A empresa BCM Ativos Imobiliários, envolvida no caso, negou as acusações e afirmou que o conflito decorre de disputas econômicas na região da Barra da Tijuca, além de denúncias contra terceiros que estariam usando o nome do antigo banco de forma fraudulenta.
A reativação do banco foi revelada pela Folha em março de 2025, envolvendo também a esposa de um deputado estadual e negócios com participação do ator Márcio Garcia.
O Banco de Crédito Móvel era proprietário de áreas que hoje abrangem Barra da Tijuca, Recreio e Vargem Grande, regiões em expansão imobiliária e alvo de disputas fundiárias, algumas com envolvimento de milícias. O grupo que buscou reativar o banco pretende obter controle sobre os terrenos e os precatórios, que somam mais de R$ 1 bilhão e estão atualmente em nome dos herdeiros dos antigos sócios do banco.
O movimento para reativar o banco começou em 2016, liderado por Heitor Castro, filho de um dos antigos sócios, que questionou a extinção da instituição e reivindicou direitos sobre ela.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









