Partidos brasileiros chegam às eleições de 2026 sem filtros eficazes para barrar candidatos ligados a facções criminosas
São Paulo, 13 de junho de 2026 – Apesar dos alertas de autoridades nacionais sobre o avanço do crime organizado na política, a maioria dos grandes partidos brasileiros não adotou medidas específicas para impedir que integrantes de facções criminosas disputem as próximas eleições.
De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos tiveram até 4 de abril para filiar candidatos e devem realizar as convenções entre 20 de julho e 5 de agosto, com registro das chapas até 15 de agosto.
Um levantamento da Folha com base nos registros do TSE dos oito partidos com maior número de cadeiras na Câmara dos Deputados – PL, PT, União Brasil, PSD, PP, Republicanos, MDB e Podemos –, que juntos representam 80% da Casa, mostra que apenas o MDB oficializou uma norma complementar para 2026 que proíbe a filiação e candidatura de pessoas vinculadas a facções criminosas, milícias e grupos paramilitares.
No documento publicado em março, o MDB atribui à própria sigla a responsabilidade de checar antecedentes, origem de recursos e vínculos dos filiados e pré-candidatos. Os demais partidos não adotam triagem prévia, limitando-se a prever expulsão ou punição apenas após condenações criminais ou improbidade administrativa.
Em dezembro de 2025, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou para a “crescente simbiose entre a criminalização da política e a politização do crime”, destacando a influência de milícias e facções no processo eleitoral.
Um caso emblemático ocorreu no Rio de Janeiro, onde uma investigação da Polícia Federal revelou que, em setembro de 2025, o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), teria avisado o deputado estadual TH Joias (MDB na época), suspeito de ligação com o Comando Vermelho (CV), sobre uma operação policial. TH Joias, condenado a quase 15 anos por tráfico de drogas, concorreu nas eleições de 2022 com apoio financeiro do MDB, que repassou R$ 300 mil para sua campanha. Ambos negam as acusações.
O MDB afirma que a norma contra candidatos ligados a organizações criminosas não está relacionada ao caso TH Joias, que já foi expulso do partido.
Em São Paulo, operações da Polícia Civil e do Ministério Público entre 2024 e 2026 resultaram na prisão ou restrição de sete políticos ligados a partidos como MDB, PSD e Podemos, suspeitos de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro em prefeituras da Grande São Paulo e Baixada Santista.
Especialistas destacam que deputados e senadores têm acesso a emendas parlamentares, recursos que podem ser liberados sem projetos prévios e com fiscalização limitada, aumentando o risco de desvios para organizações criminosas.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









