Irã diz que Estreito de Ormuz está fechado ‘até novo aviso’ e que ataques dos EUA tornam cessar-fogo ‘sem sentido’

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz após nova onda de ataques dos EUA

Teerã, 11 de junho de 2026 – O governo iraniano declarou nesta quinta-feira (11) o fechamento total do Estreito de Ormuz "até novo aviso", em resposta aos recentes ataques militares dos Estados Unidos contra o território iraniano. A medida ocorre após os EUA realizarem bombardeios na noite de quarta-feira (10), marcando a segunda noite consecutiva de ofensivas contra alvos iranianos desde o início do cessar-fogo em abril.

Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã, os ataques norte-americanos foram condenados como "ilegais e criminosos", tornando o cessar-fogo vigente "praticamente sem sentido". O texto atribui aos líderes dos Estados Unidos a responsabilidade pelas "consequências extremamente graves" decorrentes dessas ações.

Na sequência dos bombardeios, o Irã retaliou atacando dois navios na região. A embaixada da Índia em Omã informou ter tomado conhecimento de um incidente envolvendo uma embarcação próxima ao porto de Shinas, no país, nesta quinta-feira. Enquanto a agência iraniana Tasnim reportou a morte de três marinheiros, o Ministério das Relações Exteriores da Índia garantiu que os 20 indianos a bordo estão em segurança.

O Comando Central dos EUA afirmou que as ofensivas visaram capacidades de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea iranianas, classificando os ataques como resposta à "agressão injustificada e contínua do Irã". O presidente americano, Donald Trump, declarou à Fox News que caças dos EUA operavam no espaço aéreo iraniano e que teria mantido contato direto com autoridades iranianas, que teriam solicitado a interrupção dos bombardeios — informação negada por Teerã. Trump também afirmou que Israel não participou das operações e não descartou novas ações militares.

Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou ataques contra a Quinta Frota dos EUA, baseada no Bahrein. Segundo comunicado, as forças iranianas destruíram 18 alvos importantes em bases aéreas de Ali Salem, Ahmad Al-Jaber e Sheikh Isa durante duas operações. Explosões foram ouvidas em Manama, capital do Bahrein, e em Hamad Town.

O Ministério do Interior do Bahrein relatou que uma criança de 11 anos ficou ferida em decorrência dos ataques, que causaram incêndios em veículos e danos a residências devido à queda de destroços de drones interceptados. As autoridades locais prestaram atendimento emergencial.

Desde o início do cessar-fogo em abril, esta é a segunda vez que os EUA realizam bombardeios contra o Irã. A primeira ofensiva foi motivada pela derrubada de um helicóptero Apache americano pelo Irã. O impacto dos recentes ataques na trégua permanece incerto, especialmente diante da fragilidade do acordo.

Agências estatais iranianas relataram explosões em cidades portuárias da região do Estreito de Ormuz, como Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, além da ativação das defesas aéreas em Isfahan. A agência Mehr mencionou "combates no mar" entre forças iranianas e norte-americanas, sem fornecer detalhes adicionais.

Fontes norte-americanas informaram ao site Axios que os alvos atingidos estavam localizados no sul do Irã e incluíam sistemas de defesa aérea, radares e unidades de comando e controle de drones. A escalada recente coloca em xeque a estabilidade da trégua entre os dois países.

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Paulo Mathias

Colunista - Interage Goiânia.

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