Gilmar Mendes e André Mendonça entram em conflito no STF sobre inquérito do Banco Master

Após meses de críticas direcionadas ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro Gilmar Mendes escolheu o colega André Mendonça como seu novo rival na Suprema Corte, devido à condução do inquérito sobre o Banco Master.

Mendonça vê as críticas públicas de Gilmar como uma tentativa de descredibilizar as investigações sobre fraudes financeiras e prevê embates na Segunda Turma, onde o caso será julgado.

Divisão na Corte

Gilmar Mendes integra um grupo que conta com o apoio dos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, enquanto Mendonça é apoiado por Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e Fachin. Dias Toffoli transita entre os dois grupos.

Na Segunda Turma, Gilmar ficou isolado na votação que manteve a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Acusações e respostas

Em sessão no dia 16 de junho, Gilmar afirmou que delações premiadas não podem ser obtidas sob pressão e sugeriu que Mendonça teria interferido indevidamente nas negociações com Vorcaro, cujos acordos foram rejeitados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

“O direcionamento de uma delação para atingir alvos políticos predeterminados macula a voluntariedade do acordo e descredibiliza qualquer colaboração”, afirmou Gilmar, comparando o caso à Operação Lava Jato.

Mendonça rebateu dizendo que o processo trata da maior fraude financeira do país, não da Lava Jato, e concordou que a prisão não pode ser usada para forçar delação. “Seria um absurdo, e não me presto a trabalhos dessa natureza”, declarou.

Repercussões e próximos passos

Em entrevista recente, Gilmar criticou o que chama de “autoritarismo penal-judicial” e voltou a questionar publicamente a atuação de Mendonça, afirmando que o ministro agiu com “impropriedade” ao receber advogados de Vorcaro, o que, segundo ele, não é permitido pela lei.

Por sua vez, auxiliares de Mendonça afirmam que ele age conforme a legislação vigente e não pretende alimentar o conflito público, mantendo imparcialidade no trabalho.

O retorno de Vorcaro ao presídio anterior está pendente de análise por Mendonça, após a rejeição das propostas de delação.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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