Quem vê de fora nem sempre entende o que realmente envolve o controle de javalis. Não é aventura, não é improviso e definitivamente não é algo que se faça sem preparo. É uma atividade séria, regulamentada e que exige responsabilidade o tempo todo.
Antes de qualquer saída para o campo, existe um caminho legal que precisa ser respeitado. É necessário obter o Certificado de Registro (CR), realizar o cadastro nos sistemas do IBAMA, como o SIMAF, além de providenciar a documentação ambiental e as autorizações específicas das propriedades. Cada fazenda tem seu próprio processo. Nada acontece de forma aleatória.
Muita gente também não imagina o quanto a tecnologia se tornou parte essencial da atividade. Equipamentos como miras térmicas e aparelhos de visão noturna não são luxo, são ferramentas de segurança e estratégia. Eles permitem localizar os animais a longas distâncias, entender o cenário e evitar riscos desnecessários.

E os riscos existem, e são reais. O javali é um animal extremamente resistente. Quando ferido ou encurralado, ele não foge simplesmente. Ele reage. Ataques são possíveis e podem causar ferimentos graves. Um corte profundo no campo não é apenas um machucado comum, pode significar hemorragia severa e risco de vida.
Por isso, segurança nunca é detalhe. Torniquete precisa estar sempre acessível, não guardado em mochila. Arma de backup é fundamental, especialmente em matas fechadas, onde uma arma longa pode não ser prática. Existem regras que não podem ser ignoradas, como jamais atirar naquilo que não se vê perfeitamente e manter organização total na linha de tiro.
Outro ponto que poucos consideram é o risco de infecção. Ferimentos causados por animais silvestres carregam alta carga bacteriana. O tratamento é complexo e, em muitos casos, exige internação. Quando isso acontece em regiões afastadas, a situação se torna ainda mais delicada.

No controle de javalis, experiência não elimina perigo. Ela apenas ensina a respeitá-lo. Cada saída para o campo exige atenção, leitura de ambiente e preparo físico e emocional. Não existe espaço para excesso de confiança.
Também existe toda uma preocupação com o aproveitamento da carne. A qualidade do tiro, o tempo de resgate e as condições do animal são fatores decisivos. Nem sempre é possível aproveitar. Já os troféus, como crânios e presas, acabam se tornando registros simbólicos de experiências intensas, muitas vezes marcadas por aprendizados difíceis.
Quem vive essa realidade sabe que não se trata apenas de técnica ou equipamento. É uma atividade que testa limites, exige disciplina e cobra respeito absoluto às normas e à segurança. Imprudência, nesse contexto, não é coragem. É risco puro.

O controle de javalis é, acima de tudo, responsabilidade. Responsabilidade com a legislação, com o ambiente, com os companheiros de campo e com a própria vida. Essa é a parte que quase ninguém vê, mas é a que realmente define tudo.
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