A família brasileira que encontrou segurança no Marrocos: ‘Aqui não temos medo’

Família brasileira encontra segurança no Marrocos e celebra estreia da seleção na Copa do Mundo

Marraquexe, Marrocos – Na noite deste sábado (13), quando a Seleção Brasileira enfrenta o Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026, Teresa Cristina Fonseca da Silva, 44 anos, seu marido Leonardus Vergutz, e os filhos Davi e Gustavo estarão reunidos em frente à televisão, vestindo a tradicional camisa amarela do Brasil. A família, que vive em Marraquexe desde o final de 2019, encontrou no Marrocos um refúgio seguro, longe da violência urbana que marcaram suas experiências no Brasil.

Antes da mudança, Teresa e Leonardus eram professores universitários em Minas Gerais — ela na Universidade Estadual de Minas Gerais e ele na Universidade Federal de Viçosa. Moradores de Viçosa, cidade com menos de 80 mil habitantes, eles decidiram buscar uma nova vida após um episódio traumático: Leonardus foi vítima de um assalto à mão armada enquanto se preparava para sair com o filho mais velho, então com 3 anos. “Foi aquele nervoso de tirar o menino. Uma situação bem traumática”, relembra Teresa.

A oportunidade surgiu no segundo semestre de 2019, quando Leonardus foi contratado como professor e pesquisador na Universidade Politécnica Mohammed VI (UM6P), instituição privada mantida pelo Grupo OCP, líder mundial na produção e exportação de fosfatos e fertilizantes. O agronegócio brasileiro está entre os principais clientes da empresa marroquina.

O que inicialmente seria um período sabático de um ou dois anos acabou se estendendo, e a família Silva-Vergutz se adaptou à vida em Marraquexe, a quarta maior cidade do país, com mais de um milhão de habitantes. “Estou 100% adaptada hoje ao Marrocos. Não foi um país que me conquistou num primeiro momento. Mas eu aprendi a gostar”, afirma Teresa, que no início achava tudo “muito feio”, “muito pobre” e “cor de terra, deserto”.

Para ela, a sensação de segurança é o maior ganho dessa mudança. “Sinto que conquistei essa segurança. Saímos do Brasil bem impactados por causa do que tinha acontecido. Aqui eu não tenho medo de parar no sinal e ser assaltada, de virem com uma arma. Apesar da pobreza, esse medo eu não tenho”, comenta.

Segundo dados do setor consular brasileiro em Rabat, cerca de 400 brasileiros residem no Marrocos, país de 37 milhões de habitantes localizado no Norte da África. Em relatório do Ministério das Relações Exteriores com dados de 2023, a estimativa era de 200 brasileiros no país.

Na manhã do dia 20 de maio, Teresa viveu um momento simbólico de sua adaptação: ao sair do supermercado, comprou framboesas de um vendedor ambulante que, ao perceber sua nacionalidade, exclamou “Viva Neymar”. Pequenos gestos que reforçam o sentimento de pertencimento e segurança que a família encontrou no Marrocos.

Enquanto assistem ao jogo entre Brasil e Marrocos, o coração da família estará dividido entre o país que os acolheu e o Brasil, para onde viajarão uma semana depois para as férias de meio de ano. A experiência longe de casa, marcada pela busca por tranquilidade, reflete a realidade de muitos brasileiros que buscam no exterior uma nova perspectiva de vida.

Fonte: link original

Post anterior
Próximo post

Postado por:

Paulo Mathias

Colunista - Interage Goiânia.

Gostou dessa notícia? Avalie e deixe seu comentário abaixo:

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Tempo agora
Clima
--°C
Goiânia
Carregando...
🌡️ --° / --° 💧 --% 🌬️ -- km/h

MAIS LIDAS

CATEGORIAS

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x