Banco Central Europeu eleva juros pela primeira vez em 2024 devido à alta dos preços de energia
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira (11) o aumento da taxa de depósito de 2% para 2,25%, marcando a primeira elevação dos juros desde 2023. A decisão foi motivada pelo avanço da inflação na zona do euro, intensificada pelos impactos econômicos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que tem pressionado os preços da energia.
Em comunicado, o BCE destacou que o conflito no Oriente Médio gera pressões inflacionárias significativas, o que justifica a elevação da taxa de juros como medida preventiva diante dos riscos para a inflação e o crescimento econômico da região. A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou em entrevista coletiva realizada em Frankfurt que a decisão foi unânime entre os membros do conselho e representa um sinal necessário para evitar que a inflação saia do controle, dificultando a estabilidade de preços nos próximos anos.
A inflação na zona do euro acelerou para 3,2% em maio, superando a meta de 2% estabelecida pelo BCE. Além disso, a instituição revisou para cima sua projeção para o índice de preços ao consumidor em 2026, que passou de 2,6% para 3%. Apesar de uma leve redução na previsão de crescimento econômico para 2026, de 0,9% para 0,8%, empresas e famílias europeias já enfrentam custos elevados de energia devido ao conflito no Oriente Médio.
Alguns economistas questionam a eficácia do aumento dos juros, argumentando que a atual alta da inflação está mais relacionada à oferta de energia do que a uma demanda excessiva na economia. Ainda assim, o BCE opta por agir preventivamente, aprendendo com a experiência da crise inflacionária iniciada em 2022, quando foi criticado por reagir tardiamente à escalada de preços após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Lagarde não revelou os próximos passos da política monetária, mas a combinação de inflação acima da meta, preços elevados de energia e incertezas geopolíticas tem levado investidores a considerar a possibilidade de novos aumentos nas taxas de juros nos próximos meses.
*Com informações das agências Reuters e AFP*
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