Após anunciar acordo, Trump critica dirigentes iranianos e nega termos divulgados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar os dirigentes iranianos nesta sexta-feira (12), poucas horas após afirmar que um acordo de paz havia sido alcançado entre os dois países. Trump classificou os líderes do Irã como “pessoas muito desonrosas para se negociar” e negou a veracidade dos termos do suposto memorando de entendimento, que foram divulgados pela imprensa americana com base em fontes iranianas.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou: “Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!”.
Na quinta-feira (11), o presidente americano anunciou que, após dois dias de bombardeios mútuos, EUA e Irã teriam chegado a um consenso, com a expectativa de assinatura do acordo ainda neste fim de semana, possivelmente na Europa, com a presença do vice-presidente JD Vance. Trump afirmou que o memorando já teria sido aprovado por todas as autoridades iranianas, incluindo o líder supremo do país, e destacou que o acordo impediria o Irã de obter uma arma nuclear.
No entanto, o Irã negou ter aprovado qualquer texto do memorando. A agência estatal Fars declarou que “nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado”.
Detalhes divergentes do acordo
A rede CNN Internacional, citando fontes do regime iraniano, divulgou que o memorando prevê um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano; a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, sem cobrança de taxas pelo Irã e com retomada do tráfego local aos níveis pré-guerra em 30 dias; o levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA na entrada do Estreito; flexibilização progressiva das sanções contra o Irã; e o compromisso iraniano de não buscar armas nucleares.
Já uma fonte do governo dos EUA, ouvida pela agência Reuters, afirmou que o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a retenção dos ativos financeiros iranianos congelados até que o país cumpra suas obrigações.
Por sua vez, a imprensa estatal iraniana, por meio da agência Mehr, informou que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio. Segundo a agência, o memorando deve incluir a suspensão das sanções dos EUA, a retirada das forças militares norte-americanas das proximidades do Irã, o levantamento do bloqueio naval e a interrupção das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Contexto de tensão e retomada de ataques
Quase um mês após a declaração de cessar-fogo, os Estados Unidos e o Irã retomaram combates na região do Estreito de Ormuz nesta semana. A escalada teve início após a queda de um helicóptero militar americano durante um sobrevoo na área. Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e anunciou retaliações.
Na sequência, os EUA bombardearam sistemas de defesa iranianos e radares no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã respondeu com ataques a uma base americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), novos ataques foram realizados por ambos os lados, com mísseis lançados contra países do Golfo Pérsico.
O Irã chegou a anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, complicando ainda mais a situação na região estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Enquanto isso, as negociações entre os dois países continuam cercadas de incertezas, com declarações contraditórias e sem confirmação oficial de um acordo definitivo.
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