A seleção do Haiti não poderá exibir na Copa do Mundo de 2026 a ilustração que remete à Revolução Haitiana (1791–1804), episódio que levou à independência do país e à abolição da escravidão. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) proibiu o uso da imagem, alegando que se trata de uma manifestação política, o que contraria seu regulamento.
O desenho mostrava um grupo segurando uma bandeira vermelha e branca, referência à Batalha de Vertières, ocorrida em 1803 e decisiva para a expulsão dos franceses do território haitiano. A coincidência histórica chamou atenção: a seleção se classificou para a Copa no dia 18 de novembro de 2025, mesma data da batalha.
Segundo o professor Gabriel Léccas, mestre em história pela UERJ, essa não é a primeira vez que símbolos da revolução haitiana são censurados em eventos esportivos. Em fevereiro, o Comitê Olímpico Internacional proibiu a exibição de Toussaint Louverture, líder da revolução, no uniforme haitiano dos Jogos de Inverno na Itália, também por considerá-lo um símbolo político.
Léccas destaca que essas restrições refletem um silenciamento histórico e político da luta dos haitianos pela liberdade, marcado por discursos racistas que negam o protagonismo de pessoas negras na história.
A Revolução Haitiana foi um marco global, liderada por figuras como Toussaint Louverture e Jean-Jacques Dessalines, que uniram escravizados e libertos contra o domínio francês. A vitória na Batalha de Vertières em 1803 garantiu a independência do Haiti em 1804, tornando-o a primeira república negra do mundo e um símbolo da luta anticolonial e abolicionista.
O episódio também teve impacto internacional, influenciando movimentos de emancipação e debates sobre direitos civis nas Américas, inclusive no Brasil.
Fonte original: Agência Brasil – Esportes









