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No Dia Internacional da Educação, professores da rede municipal de Aparecida relatam sobrecarga, adoecimento e casos de assédio moral

No Dia Internacional da Educação, professores da rede municipal de Aparecida de Goiânia chamam atenção para um problema que tem se intensificado dentro das escolas: o adoecimento mental da categoria, associado à sobrecarga de trabalho, à desvalorização profissional e, em alguns casos, ao assédio moral.

Relatos de ansiedade, exaustão e esgotamento fazem parte da rotina de muitos profissionais da educação. A combinação entre jornadas extensas, acúmulo de funções e falta de reconhecimento tem impactado diretamente a saúde dos docentes e a qualidade do ensino.

O cenário local reflete uma realidade nacional. De acordo com estudo publicado na Brazilian Journal of Animal and Environmental Research , a sobrecarga de trabalho, a precariedade da infraestrutura escolar e a desvalorização profissional estão entre os principais fatores associados ao sofrimento psíquico de professores no Brasil.

Os dados chamam atenção: transtornos mentais são responsáveis por cerca de 50% das licenças médicas entre professores, e a depressão responde por 24% dos afastamentos por saúde mental . A pesquisa também aponta que professores chegam a atuar em turmas com mais de 37 a 42 alunos, além de enfrentarem longas jornadas e múltiplas demandas.

Na rede municipal de Aparecida, essa realidade se expressa no cotidiano das escolas.

Por medo de represálias, as professoras ouvidas pela reportagem optaram por não se identificar. Os nomes foram preservados.

Uma das docentes, identificada como G.N., relata que a sobrecarga vai muito além da sala de aula e envolve uma série de funções acumuladas no dia a dia.

“A sobrecarga não vem de uma coisa só. Hoje, além de dar aula, a gente assume tarefas burocráticas, administrativas e até de assistência social. Lidamos com plataformas, relatórios, atendimento a famílias e questões emocionais dos alunos. É um volume muito grande de demandas, que não são da nossa atribuição, e isso acaba impactando diretamente a nossa saúde”, afirma.

Outra professora da rede, E.C., descreve um cenário de falta de estrutura e apoio nas unidades escolares. Segundo ela, a ausência de profissionais e a superlotação das salas tornam o trabalho ainda mais desgastante.

“Falta suporte, faltam profissionais e faltam condições de trabalho. Muitas vezes não temos professor de apoio nem agentes educativos, mesmo com salas cheias e com várias demandas. Ao mesmo tempo, sobra cobrança, plataformas e exigências que não correspondem à realidade da escola”, relata.

A docente afirma que o quadro evoluiu para adoecimento. Atualmente afastada, ela relata diagnóstico de ansiedade generalizada e burnout após um período de exaustão extrema.

“Cheguei a um ponto em que não conseguia mais realizar atividades básicas. Estava sem energia, com insônia, ansiedade constante e não conseguia nem sair da cama. É um nível de esgotamento que afeta completamente a vida fora do trabalho”, diz.

Além da sobrecarga, professores também relatam episódios de assédio moral. Uma docente da rede, identificada como J.S., afirma ter enfrentado esse tipo de situação por anos, inclusive durante a gravidez.

Segundo ela, o ambiente de trabalho era marcado por postura autoritária e episódios constrangedores. A situação se agravou durante a gestação, quando foi mantida em condições de trabalho consideradas inadequadas.

“Sofri assédio por anos, com atitudes autoritárias e situações constrangedoras no dia a dia. Durante a gravidez, fui colocada em uma condição de trabalho extremamente desgastante, sem qualquer sensibilidade ou adaptação. Foi uma experiência desumana”, relata.

A professora também afirma que buscou apoio institucional, mas não houve retorno efetivo, o que agravou ainda mais o impacto emocional.

Para os profissionais, o cenário evidencia a necessidade de mudanças estruturais na rede, com valorização da carreira, melhoria das condições de trabalho e políticas voltadas à saúde mental.

Para o Sintego Regional Aparecida de Goiânia, a situação está diretamente ligada à falta de valorização da categoria e à ausência de medidas concretas por parte da gestão.

Além dos impactos individuais, especialistas alertam que o adoecimento dos professores compromete todo o ambiente escolar. Um profissional com a saúde mental fragilizada pode ter sua capacidade de atuação reduzida, afetando diretamente o processo de aprendizagem dos estudantes .

Diante desse contexto, a categoria defende que a valorização da educação precisa ir além do discurso e incluir políticas públicas voltadas à saúde mental dos professores, melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional.

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Redação Interage Goiânia

Colunista - Interage Goiânia.

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