Decisão da Netflix de filmar fora de Goiânia gera debate sobre memória e viabilidade técnica
A decisão da Netflix de filmar a produção “Emergência Radioativa” fora de Goiânia voltou ao centro do debate em Goiás. Segundo a justificativa da produção, a cidade atual já não preserva as características de 1987, período do acidente com o Césio-137, o que dificultaria a recriação fiel dos acontecimentos. Com quase quatro décadas desde a tragédia, áreas centrais, prédios e locais históricos passaram por demolições, reformas ou profundas alterações.
Esse cenário exigiria um trabalho cenográfico mais complexo para reproduzir o contexto original, fator que pesou na escolha da locação. Apesar da explicação técnica, a decisão gerou incômodo em parte do público goiano, que considera o episódio como parte viva da memória coletiva da cidade. Para muitos, a escolha representa um distanciamento simbólico de um dos momentos mais marcantes da história local.
Por outro lado, a discussão também ganhou contornos técnicos, com análises e comparações visuais mostrando que diversos cenários atuais já não correspondem à estética do final dos anos 1980. Assim, o debate deixou de ser apenas emocional e passou a considerar a viabilidade de produção. A polêmica evidencia duas perspectivas: enquanto a justificativa da Netflix encontra respaldo do ponto de vista cenográfico, parte da população esperava que Goiânia fosse não apenas tema, mas também o cenário real da reconstrução audiovisual de sua própria história.








