Kamila Galiza: da infância musical ao protagonismo feminino no sertanejo goiano
Cantora revela bastidores da carreira, fala sobre raízes familiares, preconceito no mercado e aposta em novos projetos para fortalecer
Cantora revela bastidores da carreira, fala sobre raízes familiares, preconceito no mercado e aposta em novos projetos para fortalecer a música regional.
Autêntica, talentosa e cada vez mais presente nos palcos de Goiás, Kamila Galiza é uma das vozes femininas que vêm conquistando espaço no sertanejo. Nascida em Confresa (MT) e criada em Goiânia desde os cinco anos, a cantora carrega em sua história a experiência de quem encontrou na capital goiana um terreno fértil para crescer artisticamente.
A música surgiu cedo em sua vida. Vinda de uma família musical, Kamila aprendeu dentro de casa os primeiros acordes de uma trajetória que hoje se consolida com identidade própria. O avô compositor, dono de ouvido absoluto e responsável por afinar instrumentos nas Folias de Reis, foi uma das figuras centrais nessa formação. Já o pai apresentou à filha os clássicos do sertanejo por meio das inesquecíveis fitas cassete — trilha sonora que ajudou a moldar seu repertório e sua sensibilidade artística.
Além de intérprete, Kamila também se destaca como compositora e revela ter entre 30 e 40 músicas prontas, abertas para futuras parcerias com empresários e outros artistas.
Sua estreia profissional aconteceu de forma curiosa e bem-humorada: uma festa de aniversário de uma mulher apaixonada por cachorros. O que parecia apenas uma oportunidade pontual se transformou no início de uma carreira que, com o tempo, avançou para shows, participações em televisão e apresentações por toda a região.
Identidade sertaneja e respeito às raízes

Mesmo transitando por estilos atuais, como o piseiro, Kamila não abre mão do sertanejo raiz. Defensora do “modão”, ela acredita que o público ainda sente falta das músicas que marcaram gerações.
Essa conexão emocional ficou evidente quando citou “Beijinho Doce” como uma de suas canções favoritas — música que traz lembranças da avó Madalena. Ao recordar a imagem da avó cantando enquanto preparava o almoço, a artista mostrou que sua relação com a música vai muito além do palco.
Outro símbolo dessa identidade é o chapéu, marca registrada de sua imagem. Segundo Kamila, o acessório já fazia parte de seu estilo muito antes de voltar à tendência nacional.
Mulheres no sertanejo
Kamila também falou sobre os desafios enfrentados no início da carreira, quando frequentemente era a única mulher cantando em bares de Aparecida de Goiânia. Apesar disso, afirma ter sido bem recebida pelos colegas e celebra a transformação do mercado nos últimos anos.
Para ela, o sucesso de artistas como Simone e Simaria ajudou a abrir portas e ampliar a presença feminina no gênero.


Versatilidade e visão de futuro
Com presença ativa nas redes sociais e uma imagem que mistura força e carisma — refletida em um perfil que exibe desde momentos no palco até bastidores da rotina artística — Kamila mostra que entende a importância de se conectar com o público além da música.
Nos shows, transita com naturalidade entre bares, grandes eventos e casamentos, adaptando o repertório para experiências mais românticas ou animadas conforme a ocasião.
De olho no futuro, a cantora prepara um novo passo na carreira: a criação da produtora Roça Urbana, projeto que pretende não apenas gerenciar sua trajetória, mas também revelar talentos da música e do humor que ainda buscam visibilidade.
Entre as parcerias atuais, destaca-se o trabalho com o músico Fábio Falcão, com quem divide apresentações em Goiânia.
Com voz marcante, respeito às tradições e olhar estratégico para o mercado, Kamila Galiza representa uma geração de artistas que honra o passado enquanto constrói o futuro do sertanejo.
No palco — e fora dele — a cantora prova que autenticidade ainda é o maior diferencial para quem deseja permanecer relevante.
Se depender de talento, história e determinação, o nome de Kamila Galiza deve ecoar cada vez mais forte na cena musical goiana.


