O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, homenageou nesta quinta-feira (28) os 24 anos de atuação do decano Gilmar Mendes na corte, ressaltando sua “permanente disposição para o debate das ideias” e sua importância como referência institucional.
“Passadas mais de duas décadas, é possível afirmar que sua excelência não apenas se integrou ao Supremo Tribunal Federal. Tornou-se uma de suas referências institucionais mais permanentes e reconhecidas”, afirmou Fachin ao abrir a sessão plenária.
Gilmar Mendes, o ministro mais antigo do STF, tem sido crítico à gestão de Fachin, especialmente em relação à proposta de criação de um código de conduta para ministros, apresentada em meio à crise envolvendo o Banco Master.
Na semana passada, Fachin instituiu um grupo de estudos para discutir uma ampla reforma no Judiciário, incluindo juristas próximos a Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que, junto com Flávio Dino e Cristiano Zanin, manifestam divergências com o presidente do tribunal.
Durante seu discurso, Fachin destacou que Gilmar Mendes foi protagonista em diversos processos que marcaram as transformações do STF e que ele “não teme a complexidade dos desafios contemporâneos”.
“Há, em sua trajetória, uma característica que merece particular registro: a permanente disposição para o debate das ideias”, disse Fachin. “Sua presença no debate público ampliou a compreensão da importância das instituições constitucionais para a estabilidade democrática.”
Gilmar Mendes foi indicado ao STF em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e completará 24 anos no tribunal no próximo dia 20.
Emocionado, Gilmar agradeceu as palavras de Fachin e afirmou que ocupar o cargo de ministro nunca é uma atividade monótona. “Sempre temos desafios”, declarou.
“São 24 anos, quase um quarto de século. Muitas coisas passaram e eu cheguei aqui. Estimava ficar, ministra Cármen [Lúcia], 12 anos, porque era talvez o paradigma de mandato da Corte Constitucional da Alemanha. Agora já são 24. Já são dois mandatos”, disse, sorrindo.
Ele ainda comentou que, ao longo do tempo, mudou de concepções e manteve diálogos que o levaram a permanecer no STF, mesmo sem inicialmente almejar essa longevidade.
O ministro encerrou seu discurso citando uma frase do ex-presidente do Uruguai Julio María Sanguinetti, ouvida durante encontro na casa do ex-presidente José Sarney: “Talvez as suas ações teriam sido mais relevantes pelo que ele tinha evitado que se fizesse pelo que ele tinha de fato feito”.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








