Haddad critica governador Tarcísio por postura contra STF e condenação de Eduardo Bolsonaro

O ex-ministro e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (17) que o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comete um erro ao criticar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em conversa com jornalistas após evento na PUC-SP, Haddad declarou que Eduardo Bolsonaro “foi para os Estados Unidos conspirar contra a soberania nacional, colocou ministros do Supremo numa situação de total constrangimento e prejudicou a economia paulista mais do que qualquer outra”.

Tarcísio, que busca a reeleição em 2026, considerou a decisão do STF contra Eduardo Bolsonaro como “injusta”. Haddad rebateu, afirmando que o governador não reconhece que a postura do ex-deputado prejudicou o estado que ele governa.

“O Eduardo precisa responder pela irresponsabilidade dele. Está tipificado como crime. Como é que você vai desconsiderar a legislação brasileira e não aplicar a penalidade prevista na lei? Na minha opinião, o governador de São Paulo dá um mau exemplo criticando a Justiça nesse caso”, declarou Haddad.

Sobre a indefinição da vice na chapa para as eleições de outubro, Haddad relatou um encontro recente com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e disse esperar que o impasse seja resolvido em breve.

Na mesma data, Haddad participou de um debate sobre desenvolvimento econômico e democracia na PUC-SP, ao lado de professores e pesquisadores da área econômica. O ex-ministro José Dirceu, diagnosticado com câncer e pré-candidato a deputado federal, participou por videoconferência.

Contexto histórico do desenvolvimento econômico brasileiro

Durante sua exposição, Haddad defendeu uma tese histórica sobre o desenvolvimento econômico do Brasil, afirmando que, em troca da abolição da escravatura em 1888, o Estado brasileiro foi entregue aos fazendeiros com a Proclamação da República em 1889.

Segundo ele, o país criou uma classe dominante, mas não uma classe dirigente capaz de pensar um projeto nacional acima dos interesses particulares.

“Todos os episódios republicanos de tentativa de golpe que nós vivemos ao longo do século 20 até agora têm a ver com o fato de que esse pacto oligárquico, de 1889, é ameaçado pela democracia. Quando a democracia põe em xeque esse pacto e diz: ‘Não, nós vamos ter um projeto nacional’, você tem uma instabilidade institucional”, explicou.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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