Em entrevista concedida na tarde de quarta-feira (17), no hotel da seleção brasileira em Basking Ridge, Nova Jersey, o lateral-direito Danilo reconheceu que o Brasil ainda está atrás de algumas das principais potências do futebol mundial na construção de uma equipe coesa para a Copa do Mundo de 2026.
O defensor de 34 anos destacou que a falta de uma identidade definida, devido às constantes mudanças na comissão técnica e na presidência da CBF em 2025, tem prejudicado a maturidade da equipe. “Nós temos que ser claros. A não criação de uma identidade, com trocas constantes, influencia. Se você tem um plano, uma coisa construída, coesa, quando a situação fica difícil, você se agarra naquilo. Isso a gente não construiu, é algo claro e óbvio”, afirmou.
Danilo comparou a seleção brasileira à França, atual campeã mundial em 2018 e finalista em 2022, que mantém o técnico Didier Deschamps desde 2012. “Eu já tinha falado isso depois do amistoso contra a França. Nós não temos a maturidade, como equipe, que a França tem hoje. Não temos. O que não quer dizer que não possamos fazer um bom papel, ganhar, chegar longe”, disse, referindo-se à derrota por 2 a 1 no amistoso de março.
O jogador ressaltou a necessidade de o Brasil adotar uma postura mais humilde e tática, aceitando, por exemplo, ceder a posse de bola ao adversário em determinados momentos. “Nossas ferramentas têm que ser diferentes, outro tipo de mecanismo. Talvez ter uma marcação mais baixa, não pressionar tanto, aceitar que a posse da bola e o comando do jogo possam ser do adversário. Isso é maturidade. É saber que, em uma brecha, nós vamos fazer o gol, com Vinicius Junior, Raphinha, Rayan, Endrick…”, explicou.
Apesar das dificuldades, Danilo afirmou que o Brasil permanece entre as principais seleções do mundo: “O Brasil está na primeira fileira, sempre vai estar. Isso só vai mudar se acontecer um desastre muito grande e a gente parar de produzir jogadores.”
Sobre a organização da CBF, o lateral elogiou a atual gestão e afirmou que o time ganhou um rumo que pode trazer resultados no futuro, embora reconheça que estruturalmente ainda esteja atrás das potências. Ele também comentou sobre a importância do próximo jogo contra o Haiti, válido pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo, marcado para sexta-feira (19). Após o empate por 1 a 1 com Marrocos, o Brasil precisa da vitória para evitar dificuldades na classificação.
“Perguntaram para mim sobre uma goleada. Seria uma grande loucura eu falar algo sobre isso. A gente precisa entrar taticamente bem postado e fazer um jogo seguro”, declarou.
Por fim, Danilo homenageou o ex-jogador Zinho, integrante da seleção campeã do tetra em 1994 e atualmente comentarista da ESPN, ressaltando a importância de honrar o legado das cinco estrelas já conquistadas. “Isso não foi construído por nós. Nosso papel é honrar isso e, com muita entrega, muito espírito, lutar para colocar mais uma estrelinha na camisa. Seria maravilhoso.”
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









